domingo, 22 de março de 2015

Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte e Congresso de Viena

Revolução Francesa
Feita em nome dos ideais de liberdade e igualdade que destruiu o Antigo Regime e desencadeou uma onda revolucionária pelos países vizinhos e por suas colônias na América.
França
·         Pré-revolucionária – século XVII – XVIII
→ Monarquia absolutista
→ Grave crise: estado gastava mais do que arrecadava
→ gastos militares
→ gastos com luxo da corte
→ Governada por Luís XVI
→ Soluções:
1. Diminuir gastos
2. Aumentar arrecadação
Clero
Nobreza
Burguesia e povo
→ Sociedade estamental                     
                                                                     
→ Propôs-se cobrar impostos do clero e da nobreza (igualdade fiscal).
→ Convocação dos Estados Gerais.
·         Os Estados Gerais
→ impasse    rei queria voto por Estados
                            3º estado queria voto por cabeça.

→ Assembleia Nacional Constituinte – 3º Estado se reúne para criar uma Constituição.
→ O 3º Estado organizou uma Guarda Nacional.
→ O rei tentou fechar a Assembleia.
→ Reação do povo: Queda da Bastilha.

1ª fase da Revolução Francesa
·         Assembleia Nacional Constituinte
→ fim do privilégio da nobreza
→ confisco dos bens da Igreja
→ Constituição Civil do Clero
→ nova moeda
→ Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
→ Constituição de 1791
→ monarquia constitucional
→ voto censitário
→ proibiu o povo de fazer greves e fazer sindicatos (Lei de Le Chapelier)
·         Monarquia Constitucional - transição da 1ª para a 2ª fase
→ Divisão dos poderes: Executivo (rei) Legislativo (Assembleia Nacional eleita por 02 anos) Judiciário (juízes eleitos).
→ Países vizinhos temiam a revolução.
→ Os revolucionários queriam a expansão da revolução.
→ O rei conspirou com a Áustria e Rússia para voltar ao poder.
→ Rei tentou fugir.
→ Tendências políticas: monarquistas e republicanos.
→ Ameaça externa: contrarrevolução, daí a guerra contra Áustria e Prússia – (revolução ameaçada).
→ Convocação do exército popular – San Culottes – apoiam os jacobinos. (Operários forjando armas, pressão sobre a Assembleia).
→ Suspensão das funções do rei.
→ Vitória sobre a Prússia em Walmy.
→ Rei preso.
→ A Assembleia proclamou a República.
→ Forma-se a Convenção para fazer uma nova Constituição.

2ª fase da Revolução Francesa
·         Convenção Nacional
→ Proclamação da República 21/09/1792.
→ Grupos políticos:
→ Girondinos: alta burguesia, direita.
→ Jacobinos: radicais, esquerda.
→ Planície ou Pântano, centro.
→ Pleito com voto universal masculino.
→ 1º momento: girondinos controlam.
→ Convenção Girondina
→ Situação externa:
→ guerras continuavam
→ Inglaterra apoia os inimigos (1ª coligação contra a França – Áustria, Prússia, Rússia, Portugal, Espanha).
→ Situação interna:
→ rei julgado, condenado e executado.
→ grande desabastecimento e carestia (preços altos).
→ San Culottes exigiam aprofundamento da Revolução – expurgo dos girondinos.
→ os Jacobinos tomam a Convenção com apoio dos San Culottes.
→ Convenção Jacobina
→ controle através do Comitê de Salvação Pública – tribunal revolucionário.
→ Constituição de 1793.
→ direito a instrução, trabalho, educação pública e gratuita.
→ reforma agrária – terras comunais distribuídas entre camponeses.
→ fim da escravidão nas colônias
→ Lei do Máximo – tabelamento dos gêneros de primeira necessidade.
→ desagrado dos girondinos e camponeses
→ cancelaram garantias constitucionais e individuais (Período do Terror)
→ muitas pessoas executadas por traição
→ Robespierre exacerbou poder, perseguiu antigos companheiros e, doente e isolado virou alvo fácil para os girondinos.
→ Golpe do 9 Termidor
→ Reação Termidoriana
→ alta burguesia volta ao poder
→ os girondinos adotam o Diretório.

3ª fase da Revolução Francesa
·         O Diretório
→ revogação das medidas jacobinas
→ adoção de uma nova constituição 1795
→ 5 diretores eleitos pelo legislativo
→ voto censitário
→ fracasso da “Conspiração dos Iguais”, de Graco Babeuf.
→ abolição da Lei do Máximo
→ corrupção e instabilidade política
→ Revoltas monarquistas
→ Revoltas jacobinas
→ alguns girondinos defendem um governo forte como solução.
→ Prestígio do Exército: vitórias contra a coligação europeia se destaca Napoleão Bonaparte na campanha da Itália e do Egito.
→ Queda do Diretório: Golpe do 18 Brumário, com a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder e criação do Consulado.


Era Napoleônica (Livro p. 76-78)
Os processos revolucionários provocaram certa tensão na França, de um lado estava a burguesia insatisfeita com os jacobinos, e do outro lado as monarquias europeias, que temiam que os ideais revolucionários franceses se propagassem por seus reinos.
Foi derrubado na França, sob o comando de Napoleão, o governo do Diretório. Junto com a burguesia, Napoleão estabeleceu o consulado, primeira fase do seu governo. Este golpe ficou conhecido como 'Golpe 18 de Brumário' em 1799. O Golpe 18 de Brumário, marca o início de um novo período na história francesa, e consequentemente, da Europa: a Era Napoleônica.
As mudanças beneficiaram principalmente a Burguesia, cujo poder consolidou-se com as Leis do Código Civil ( ou Napoleônico ), elaborado entre 1804 e 1810 por um corpo de juristas nomeados pelo governo . O Código procurava conciliar a legislação com os princípios da Revolução Francesa de liberdade, propriedade e igualdade perante a lei, ou seja, manteve o fim dos privilégios desfrutados pela Nobreza no Antigo Regime, mas favoreceu os privilégios conquistados pela Burguesia .
    Consulado – 3 cônsules
  • Procurou fazer uma política de reconciliação, visando estabelecer a paz interna.
  • Constituição de 1799
    • Título de Cônsul - por 10 anos.
  • Banco da França.
  • Centralização administrativa.
  • Código Civil (1804) – fundamentado no Direito Romano: igualdade perante a lei, direito de propriedade, proibição de organização de sindicatos e greves, restabelecimento da escravidão nas colônias.
  • Concordata com o Papa (1801).
  • Plebiscito – Cônsul vitalício.
Império - 1804
  • plebiscito.
  • Em 1805, venceu mais uma coligação (3ª) Inglaterra, Áustria e Rússia.
  • Bloqueio Continental à Inglaterra após a derrota na batalha de Trafalgar – Portugal e Rússia descumpriram o bloqueio.
  • 1812 – início do declínio napoleônico, invasão da Rússia.
  • 1813 – Batalha das Nações em Leipzig.
  • Tratado de Fontenebleau – exílio – Ilha de Elba – 1814.
  • Restauração Monárquica na França – Bourbons – Luís XVIII.
    Governo dos 100 dias
  • 1815 – fugiu da ilha de Elba e assume o poder.
  • Vencido – Batalha de Waterloo.
  • Morreu em 1821 – Ilha de Santa Helena.


Congresso de Viena - (1814 – 1815) – (Livro p. 91-92)
–        Reunião de representantes dos mais importantes monarcas absolutistas europeus e da Inglaterra.
         Objetivos:
        restabelecer a antiga divisão política do continente europeu,
        devolver os tronos as antigas dinastias,
        garantir mecanismos para evitar novas revoluções,
        Volta do Antigo Regime.
        O governo francês submeteu-se a uma série de imposições, entre elas o pagamento de uma indenização de 700 milhões de francos aos países vencedores, em razão dos prejuízos da guerra.
        Os principais países que participaram do Congresso foram: Áustria, Inglaterra, Rússia, Prússia e França.
        Entre as principais diretrizes aprovadas pelo Congresso de Viena, destacam-se:
        Restauração - retorno à situação política europeia de 1792, com o objetivo de restabelecer os domínios territoriais antes da Revolução Francesa, o que mostra o caráter conservador do Congresso de Viena.
        Legitimidade - devolução do governo de cada país aos herdeiros das antigas monarquias absolutistas.
        Solidariedade – aliança política entre as monarquias tradicionais europeias, com o objetivo de reprimir a onda liberal democrática deflagrada pela Revolução Francesa e ampliada pelas conquistas napoleônicas.
Santa Aliança
–        Organização militar para reprimir avanços liberais.
–        Os monarcas da Áustria, da Rússia, da Prússia e de algumas outras nações formaram essa organização com o objetivo de se defender mutuamente.
–        Em nome da Santa Aliança, assumiram o direito de intervir em qualquer país em que surgisse algum movimento revolucionário inspirado no liberalismo democrático.
        Inglaterra, abandonou mais tarde, pois apoiava as independências na América.

Revolução Americana

Independência dos Estados Unidos – (Livro p. 78-85)
  • Colônias rompem politicamente com a Inglaterra e partem para uma política de dominação.
  • A colonização:
Colônias de Povoamento
  • vieram para morar – nova Pátria;
  • Mercado interno minifúndio;
  • Mão de obra assalariada;
  • protestantismo;
  • policultura.
Colônias de Exploração
  • fazer-se na América;
  • mercado externo;
  • latifúndio;
  • mão de obra escrava;
  • catolicismo;
  • monocultura.
Relação Colônia e Metrópole – Guerra dos Sete Anos e seus efeitos.
  • Abalo nas finanças.
Política Tributária: medidas que restringiam à autonomia colonial.
  • Sugar Act - Lei do Açúcar – alta taxa para os produtos que não eram provenientes das Antilhas Britânicas.
  • Stamp Act - Lei do Selo – exigia a selagem em documentos legais (documentos comerciais).
  • Tea Act - Lei do Chá – dava o monopólio do comércio do chá a Companhia das Índias Orientais.
Reação colonial.
  • Colonos disfarçados de índios jogaram ao mar 300 caixas de chá – massacre do porto de Boston – festa do chá em Boston.
Represália Britânica.
  • Leis Intoleráveis.
  • Fechamento do porto de Boston até ser paga a mercadoria destruída.
  • Lei do Aquartelamento - exigia que as colônias deveriam fornecer alojamentos e suprimentos às tropas reais.
O processo de Independência

Primeiro Congresso Continental da Filadélfia.
  • Queriam a revogação das leis Intoleráveis.
Segundo Congresso Continental da Filadélfia.
  • Caráter separatista.
  • 4 de julho de 1776 publicada a Declaração de Independência, elaborada por Thomas Jefferson.
Guerra da Independência
  • guerra colonial – colonos x colonizadores.
  • Guerra internacional.
  • Recebem ajuda da França, Espanha e Holanda.
Consequências da Revolução Americana.
  • Os EUA adotaram uma Constituição liberal que estabeleceu uma república presidencialista (com divisão dos poderes) e federativa (com grande autonomia para os governos estaduais). George Washington foi eleito primeiro presidente do país (eleições indiretas, que até hoje caracterizam o sistema político americano). Embora os ideais de igualdade de direitos tenham norteado a revolução, a questão da escravidão não foi devidamente resolvida: coube a cada estado decidir se manteria ou não a escravidão.
  • A Revolução Americana difundiu os ideais modernos de revolução inspirados no Iluminismo e influenciou a Revolução Francesa e as Independências da América Latina.

Revolução Industrial

Razões do pioneirismo inglês:
- Desenvolvimento do liberalismo, legislação liberal incentivando a propriedade individual.
- Acumulação primitiva (atividade mercantil): possibilitando obras de infraestrutura; 
- Sistema bancário eficiente (crédito fácil): proporcionando mais investimentos no setor produtivo.
- Disponibilidade de lã (cercamentos) e algodão (colônias): impulsionando a indústria têxtil; e
- Disponibilidade de carvão mineral e ferro: estimulando as inovações tecnológicas (máquina a vapor).
- Ampliação de seu império colonial contribuindo para o acúmulo de capital.
- Conquista de mercados mundiais (hegemonia naval): produtos comercializados em todos os continentes; e
- Crescimento demográfico (maior oferta de alimentos): impulsionando o consumo interno.
- Êxodo rural: cercamentos e ampliação da criação de ovelhas diminuindo opções de trabalho no campo; e

- Trabalhador assalariado (proletário): massa urbana desqualificada e ociosa, que se sujeita às duras condições de trabalho nas fábricas e nas minas.
- Exploração colonial, tráfico de escravos, lucro das Companhias de comércio, tratados vantajosos.

→ 1ª Revolução Industrial
→ Primeiros setores a sofrer impactos da industrialização →
Têxtil
Metalúrgico
Transporte

Consequências:
→ Péssimas condições de vida e trabalho
→ surto de doenças
→ baixos salários
→ ausência de legislação trabalhista.
→ Surgimento das fábricas – substituição do sistema de produção doméstico pela unidade industrial, concentrando diversas pessoas no mesmo local de trabalho.
→ Mecanização: substituição das ferramentas pelas máquinas e da energia humana pela motriz.
→ Aumento da produtividade (produção em massa): emprego da divisão social do trabalho e utilização em larga escala do trabalho assalariado.
→Avanços nos sistemas de transporte: principalmente, desenvolvimento e expansão do transporte ferroviário.
→ Surgimento da burguesia industrial e do proletariado: classes sociais com interesses antagônicos.
→ Transformação do espaço urbano: bairros populosos (cortiços) e bairros burgueses (práticos e belos).
→ Surgimento do movimento operário: precarização das relações de trabalho (intensa exploração do trabalhador).
→ Impacto ambiental: degradação do meio ambiente para extração e produção de matérias-primas em larga escala e lançamento descontrolado de resíduos industriais (poluição).


→ Consolidação do sistema capitalista: propriedade privada dos meios de produção, exploração do trabalho assalariado e distribuição irregular da riqueza produzida (separação entre o trabalho e o capital).

Revolução Inglesa

Antecedentes históricos
· Dinastia Plantageneta – Início da formação do Estado Nacional – (Livro p.49)

  • Para fortalecer seu poder, esses monarcas estabeleceram a justiça real e a common law (direito comum), ou seja, o direito consuetudinário, conjunto de leis tradicionais não escritas a ser aplicado em todo território, baseadas em tradições e costumes.
  • Os nobres ingleses se revoltaram contra a cobrança de impostos, reivindicando limites ao poder real e impondo-lhe a Carta Magna, segundo a qual o monarca, só poderia criar novos impostos ou alterar leis com a aprovação do Grande Conselho, órgão controlado por membros do clero e da nobreza.
  • A partir da Magna Carta, o Parlamento tornou-se um eficiente meio de controlar os condados e criar impostos, e aos poucos ganhou a condição de instituição permanente do governo. Dividia-se em duas câmaras: a Câmara dos Comuns (membros eleitos dos condados e das cidades) e a dos Lordes, representada pelos grandes senhores e pelo clero.

· Dinastia Tudor – Consolidação do Estado Nacional e do Absolutismo – (Livro p.51)

  • Após a Guerra dos Cem Anos, a nobreza inglesa se dividiu na disputa pela sucessão do trono, denominada Guerra das Duas Rosas, entre a Casa de Lancaster (rosa vermelha), no trono desde 1399, e a Casa de York (rosa branca).
  • Elizabete I (1558-1603), filha de Henrique VIII – consolidação do absolutismo. O absolutismo inglês era “consentido” pelo Parlamento (nobreza e burguesia), devido à necessidade de união nacional nas guerras contra a Espanha e aos frutos obtidos com a expansão comercial e a reforma anglicana.
  • Com a morte de Elizabeth, em 1603, a dinastia Tudor extinguiu-se e o herdeiro mais próximo, o rei da Escócia Jaime VI Stuart, assumiu a coroa inglesa, com o título de Jaime I (1603-1625).

Causas da Revolução Inglesa

  • A Revolução Inglesa (e escocesa) estourou no reinado de Carlos I (1625-1649), causada por uma combinação de motivos políticos e religiosos. o conflito entre as tentativas de Carlos I (e seus sucessores) de ampliar o absolutismo Stuart e o poder do Parlamento e as tentativas de Carlos I de impor o anglicanismo e perseguir os calvinistas (puritanos ingleses e presbiterianos escoceses).


Etapas da Revolução Inglesa – (Livro p. 52-56)

  • A Guerra Civil ou Revolução Puritana (1642-1648) – foi o confronto armado entre as forças do rei, seus nobres e a hierarquia da igreja anglicana (Cavaleiros) e as forças parlamentares, um novo tipo de exército apoiado por comerciantes, burguesia urbano, empresariado rural, em sua maioria puritanos. (cabeças redondas, lideradas por Oliver Cromwell). A nobreza ficou dividida.
  • Os realistas foram derrotados, mas o exército puritano entrou em conflito com o Parlamento e os presbiterianos. Estes tentaram se aproximar de Carlos I e dissolver o exército puritano, temendo a influência dos grupos revolucionários.
  • O exército liderado por Cromwell deu um golpe de Estado e assumiu o poder abolindo a monarquia e proclamando a República, que recebeu o nome de Commonwealth.

República Puritana (1649-1659) – governo de Oliver Cromwell (com o título de “Lord Protetor” a partir de 1653).

  • Governo autoritário, parlamento dissolvido, oposição popular eliminada, conquistou a Irlanda (1649), esmagando a Revolta Católica, e a Escócia (1650-1651), derrotando os presbiterianos, fortaleceu o poder inglês nas ilhas britânicas, impulsionou o mercantilismo e o colonialismo e desencadeou guerras contra as Províncias Unidas e a Espanha, projetando a Inglaterra como grande potência naval e comercial.
  • Pelos Atos de Navegação (1651), estabeleceu o monopólio inglês no comércio externo do país, uma medida protecionista dirigida contra as Províncias Unidas, que tinham uma grande participação nas atividades mercantis da Inglaterra.
  • Oliver Cromwell morreu em 1658, e a direção da República passou para seu filho, Ricardo que não possuía habilidade para governar e renunciou (1659).
A Restauração (1660-1688) – a Dinastia Stuart recuperou o trono com o apoio do Parlamento mas suas tendências absolutistas retornaram e com elas a tensão política. O poder anglicano foi restaurado e a perseguição aos puritanos retomada.


  • Temendo a crescente influência católica e manobras absolutistas, o Parlamento lançou o Ato do Teste (1673), proibindo não anglicanos de exercerem cargos governamentais, e o Ato do Habeas Corpus (1679), protegendo o indivíduo da prisão arbitrária e salvaguardando sua liberdade pessoal.
  • No governo de Jaime II (1685-1688) que dava sinais de querer restaurar o catolicismo e o absolutismo aproximando-se da França, uma nova crise política emergiu e uma nova ruptura com Parlamento foi inevitável.

Revolução Gloriosa (1688) relativamente pacífica.

  • O Parlamento convidou o príncipe holandês Guilherme de Orange (neto de Carlos I e genro de Jaime II) a assumir o trono inglês.
  • Guilherme assumiu o título de Guilherme III e reinou (1688-1702) reconhecendo a autoridade do Parlamento na Declaração de Direitos (1689),estabelecendo:
  • § Aprovação parlamentar dos impostos, liberdade de expressão, confirmação do habeas corpus, direito de portar armas, direito de petição e a proibição do rei manter um exército.
  • § Ato de Tolerância (1689) liberdade religiosa, apesar das restrições ao catolicismo e judaísmo.
  • Derrubada do absolutismo e vigor do Parlamentarismo.

 Consequências da Revolução Inglesa

  • Criação de uma Monarquia Constitucional (Monarquia Parlamentar) – poder limitado pela lei e por um parlamento representativo. (O rei reina mais não governa)
  • Fim do absolutismo na Inglaterra.
  • Criação de um “Estado burguês”. Como o voto era censitário até o século XIX, o Parlamento era dominado por uma oligarquia endinheirada, constituída por nobres e burgueses, e suas leis favoreciam os interesses dos grupos capitalistas agrários e urbanos.
  • Medidas que beneficiaram o capitalismo inglês:
  • § Lei dos Cercamentos, determinando que as terras de uso comum, de acordo com as tradições medievais seriam transformadas em propriedades privadas (cercadas) dos fazendeiros com recursos econômicos para investir na produção agrícola (trigo) e pecuária (ovelhas), visando a modernização no campo e o aumento da produtividade (expansão do capitalismo no campo). Essa modernização  dispensou mão de obra, dificultou o acesso a terra e provocou o êxodo rural, favorecendo a formação do proletariado urbano.
  • § Banco da Inglaterra (1694) fundamental para financiar as despesas do Estado.
  • Ascensão da Grã-Bretanha como a maior potência capitalista mundial.
  • O “Estado burguês” favoreceu o desenvolvimento, superando as Províncias Unidas como maior centro financeiro, comercial e naval do mundo.
  • No reinado da rainha Ana (1702-1714), outro impulso para o fortalecimento do país foi o Ato de União (1707), Inglaterra e Escócia uniram-se pacificamente constituindo um único reino, com monarquia, parlamento, moeda, forças armadas e política externa comum – o Reino Unido da Grã-Bretanha, dominando também a Irlanda.

Liberalismo e Iluminismo

Principais Doutrinas Filosóficas – (Livro p. 27-30)

Iluminismo
  • Movimento cultural, político, econômico e filosófico que defendia o uso da razão como o melhor caminho para se alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação. Aconteceu entre os séculos XVII e XVIII, em toda a Europa, ficou conhecido como Iluminismo, Ilustração ou Século das Luzes. Surge em uma época de grandes transformações tecnológicas, com a invenção do tear mecânico, da máquina a vapor, entre outras.
  • Somente por meio da razão, afirmavam ser possível compreender os fenômenos naturais e sociais. Essas ideias baseavam-se no racionalismo. 
  • Defendiam a democracia, o liberalismo econômico e a liberdade de culto e pensamento. (Política Econômica Liberal).
  • Para os teóricos do Iluminismo o homem é naturalmente bom e todos nascem iguais. É corrompido pela sociedade, em consequência das injustiças, opressão e escravidão. A solução é transformar a sociedade, garantindo a todos a liberdade de expressão e culto e fornecendo mecanismos de defesa contra o arbítrio e a prepotência.
  • Cabe ao governo garantir os "direitos naturais": liberdade individual, direito de posse, tolerância, igualdade perante a lei.
  • Critica o Antigo Regime.
Precursores do Iluminismo
  • Isaac Newton (1642-1727), cientista inglês, descobridor de várias leis físicas, entre elas a lei da gravidade. Para Newton, a função da ciência é descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.
  • René Descartes (1596 – 1650) Racionalista, matemático e filósofo francês, defensor do método lógico e racional para construir o pensamento científico.
o    Acreditava que para se chegar a uma verdade, todas as teorias deveriam ser questionadas. Racionalista, considerado o fundador da filosofia moderna, afirmava que para se chegar à verdade era preciso, primeiramente, partir de axiomas (verdades inquestionáveis), para depois se chegar ao objetivo, através da dedução matemática.
o    Método Cartesiano – consiste no ceticismo metodológico – duvida-se de cada ideia que não seja clara e distinta. Só se pode dizer que existe aquilo que pode ser provado. 4 regras básicas do método: verificar, analisar, sintetizar, enumerar.
o    Ele buscou provar a existência do próprio eu e de Deus. “Se penso, logo existo”.
o    Descartes defendia que o homem vem ao mundo sem nenhuma ideia preconcebida.

John Locke (1632 – 1704)
o    Considerado o pai do Iluminismo". Representa o individualismo liberal contra o absolutismo monárquico. Para Locke, o homem, ao nascer, não possui qualquer ideia e sua mente é como uma tábula rasa. O conhecimento, em decorrência, é adquirido por meio dos sentidos, base do empirismo, e processado pela razão.
o    Defendia que o homem nasce com certos direitos naturais, a vida, a liberdade, a propriedade privada e a resistência contra governos ditatoriais.
o    Os governos existiam por um contrato social, o governo nasce de um entendimento entre governantes e governados e deveria garantir direitos naturais, se falhasse os cidadãos poderiam se rebelar.
o    Autor de Ensaio sobre o Entendimento Humano rejeitou o conceito de ideias inatas.

Pensadores Iluministas
·         Voltaire (1694-1778)
o    Crítico do absolutismo e dos privilégios da Igreja e da nobreza. Critica violentamente a intolerância religiosa e é o símbolo da liberdade de pensamento. Defende uma monarquia que garanta as liberdades individuais, sob o comando de um soberano esclarecido.
o    Escreveu as Cartas Inglesas, nas quais exalta a liberdade de pensamento e de religião.
o    Autor de Dicionário Filosófico e das Novelas Satíricas.
o    Defendia governos de poderes limitados, aos moldes ingleses.
o    Acreditava que todos os homens tinham direitos naturais a liberdade, a propriedade e a proteção das leis.
·         Montesquieu (1689-1755): 
o    Considerado o pai do liberalismo burguês foi jurista, filósofo e escritor.
o    Em sua principal obra O Espírito das Leis, expôs sua teoria da divisão do poder político em Poder Legislativo, Executivo e Judiciário.
o    Suas ideias influenciaram a organização de praticamente todos os governos pós Revolução Francesa.
·         Jean-Jacques Rousseau (1712-1778):
o    Ao contrário de Voltaire e Montesquieu, ele não foi porta-voz da burguesia e sim das camadas mais populares. Propõe um Estado governado de acordo com a vontade geral do povo e capaz de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos.
o    Suas ideias contrariavam, por exemplo, um dos princípios centrais da sociedade burguesa - a propriedade privada. Segundo Rousseau, esta era a raiz da infelicidade humana, pois trazia consigo a desigualdade e a opressão do mais forte sobre o mais fraco.
o    Principais obras foram: Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens - realça os valores da vida natural e critica o mundo civilizado - e Contrato Social - defende um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral, estabelecido em bases democráticas.
o    Democrata, defendeu a igualdade entre os homens; afirmava que o poder político emana do povo.
o    Defendia o direito de participação política de todos os homens, excluindo as mulheres.
o    Todos os homens nascem bons, a sociedade é quem os corrompe.
o    Exerceu grande influência na Revolução Francesa e na filosofia dos séculos posteriores.
·         Denis Diderot e Jean Le Rond D´Alembert - organizaram a primeira Enciclopédia, 35 volumes.
o    Proibida pelas autoridades, por criticar os poderes estabelecidos, a Enciclopédia circulou clandestinamente, sua elaboração, iniciada em 1751, foi concluída em 1772.

Os Economistas: “Laissez-faire, laissez-passer” –  política econômica liberal. O Iluminismo produz duas correntes de pensamento, a fisiocracia e o liberalismo econômico.
o    Fisiocracia – defendia o fim do mercantilismo, da tutela do Estado sobre a economia. Propunha que a economia funcionasse por si mesma, defendendo, portanto, a liberdade total nas atividades econômicas.
§  A terra era a fonte de toda riqueza.
§  Lei da oferta e da procura.
§  François Quesnay (1694-1774) – médico francês que defende a existência de um poder natural em ação nas sociedades, que não deve ser contrariado por leis e regulamentos. É partidário de um capitalismo agrário, com o aumento da produção agrícola, única solução para gerar riquezas para uma nação. A atividade verdadeiramente produtiva é a agricultura.
§  Vicent Gournay (1712-1759) – propunha liberdade para as atividades comerciais e industriais.
o    Liberalismo Econômico
  •     Adam Smith(1723-1790) – “O pai do Liberalismo’

    §  Obra: A Riqueza das Nações - Ataca a política mercantilista por ser baseada na intervenção estatal e sustenta a necessidade de uma economia dirigida pelo jogo livre da oferta e da procura de mercado, o laissez-faire.
    §  O mercantilismo era um entrave na ordem econômica.
    §  A divisão do trabalho, elemento essencial para o crescimento da produção e mercado.
    §  Livre concorrência prega a não intervenção do Estado na economia e um Estado limitado às funções de guardião da segurança pública, mantenedor da ordem e garantidor da propriedade privada. Defende a liberdade contratual, pela qual, patrões e empregados são livres para negociar os contratos de trabalho.
    §  Lei da oferta e da procura.
    §  Mão invisível.
    •     Thomas Malthus (1766-1834)

      §  Ensaio sobre a População, de 1798 - a natureza impunha limites ao progresso industrial, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética e a população em progressão geométrica, gerando fome e miséria das grandes massas.
      §  A natureza corrige essa desproporção por meio das guerras e epidemias, que reduzem a população - equilíbrio entre a população e a produção.
      §  Malthus recomenda ao governo antecipar-se à natureza negando assistência social às populações, especialmente hospitais e asilos.
      §  Conter o aumento dos nascimentos, aconselhando a abstinência sexual como forma de diminuir os índices de natalidade.
      §  A Lei dos Pobres: (1834)- centralizava a assistência pública, desempregados recolhidos a workhouses.
      • (1772-1823)
      §   Teoria do valor do trabalho.
      §  Lei Férrea dos Salários – o preço da força de trabalho seria equivalente ao mínimo necessário à subsistência.

        Déspotas Esclarecidos - As ideias racionalistas e iluministas influenciam alguns governantes absolutistas, que pretendem governar segundo a razão e o interesse do povo, sem abandonar, porém, o poder absoluto.
      o    Governantes europeus viram-se obrigados a realizar reformas sociais e econômicas a fim de modernizar seus países atrasados, mas sem abrir mão do poder. Criaram uma legislação favorável ao comércio e à produção manufatureira, com o objetivo de fortalecer a burguesia, criaram escolas laicas (não religiosas), decretaram a liberdade de culto, a fim de reduzir os privilégios do clero católico, abolição da servidão, das torturas; assistência social  estímulo à educação, impulso às artes e incentivo à vida econômica.
      o    Principais déspotas esclarecidos: Catarina II da Rússia, Frederico II da Prússia, José II da Áustria, José I de Portugal (através do Marquês de Pombal) e Carlos III da Espanha (através do Conde e Aranda).

      Primeiro Bimestre de 2015

      Lista de Conteúdos para o Primeiro Bimestre

      A Era das Revoluções: Iluminismo, Revoluções Inglesas, Revolução Industrial, da Revolução Francesa ao Congresso de Viena, Independência da América Inglesa, Liberalismo, Nacionalismo e Socialismo.

      quarta-feira, 5 de novembro de 2014

      Segundo Reinado 2014


      • → Com o Golpe da Maioridade (Partido Liberal), tem início o Segundo Reinado. O Imperador tornou-se símbolo de um Estado que, na visão das elites, tinha como tarefas principais preservar a unidade política do país, manter a união das províncias e garantir a ordem social. O golpe representou a vitória dos liberais, os quais formaram o primeiro ministério do Segundo Reinado. O gabinete da Maioridade (24/07/1840) caiu após as Eleições do Cacete (Política das Derrubadas) em 23/03/1841.



      → O Brasil tinha 7,5 milhões de habitantes e 80% analfabetos e governados por uma elite de 0,1% com maioria formada na Universidade de Coimbra.

      → As instituições de governo: Monarquia Constitucional com 4 poderes, Poder Legislativo: Senado (nomeado e vitalício) e Câmara (eleitos indiretamente por 4 anos), Conselho de Estado assessorava o imperador no uso do poder Moderador, composto por 12 membros em caráter vitalício, O poder Executivo era exercido pelo ministério ou gabinete formado pelo presidente do Conselho de Ministros criado em 1847, cargo que nunca foi regulamentado, O gabinete: administrar o país, elaborar orçamento, nomear e promover funcionários civis, militares e eclesiásticos e nomear presidentes de províncias, O poder Moderador concentrava poder ao imperador e pretendia fortalecê-lo ao máximo, cabia-lhe distribuir recursos, nomear cargos, dissolver a Câmara; com o tempo foi verificado que isso tinha um preço, os grupos de oposição que ficavam descontentes com as medidas adotadas, faziam severas críticas que levavam ao desgaste na medida em que os detentores dos cargos vitalícios se transformavam em conservadores inflexíveis, inclinados a não aceitar críticas de espécie alguma.

       Conservadores e Liberais

      - Tinham em comum: formação superior, sentimento aristocrático (homens brancos, livres e proprietários), atribuía a si próprios a missão de governar, de impor a ordem e manter a escravidão.

      - Eram diferentes: na maneira de lidar com a realidade social, os conservadores defendiam um poder central forte e os liberais a autonomia provincial e a representatividade.

      - Os conservadores assumiram dando continuidade à centralização iniciada com a Lei Interpretativa do Ato Adicional (12/05/1840) defendia um Estado forte, aumentaram o poder dos chefes de polícia e seus auxiliares, ambos nomeados e subordinados ao ministro da justiça.

      - Os Liberais eram favoráveis à separação entre justiça e polícia e contra a vitaliciedade de alguns cargos.

       Ministério da Conciliação – 1853 - 1868 – (Liberais e Conservadores no poder). O gabinete do Marquês de Paraná (Honório Hermeto Carneiro Leão que morreu em 1856) serviu para aproximar os moderados de ambos os lados.

      → A prática política era defeituosa, fraudar eleições era fácil, consistia na troca do presidente de província, de funcionários, colocava a Guarda Nacional na rua e garantia empregos e promoções a outros. A relação de favor era a base do clientelismo (troca de proteção por submissão) e do paternalismo (autoritarismo disfarçado de proteção). Nesse sistema predominava as relações de favor, impedindo uma burocracia estatal profissionalizada, havia instabilidade política, pois, o sistema eleitoral viciado dava origem a uma representação limitada, e os que exerciam o poder, não levava em consideração interesses sociais mais amplos.

       Parlamentarismo às Avessas. - No Primeiro Reinado foi constante o conflito entre o poder Moderador (D. Pedro I) e a Câmara dos Deputa­dos. Para diminuir os atritos entre os poderes, foi criado, em 1847, a Presidência do Conselho de Ministros. Ficou convencionado que o imperador nomearia apenas o presidente do Conselho, que, por sua vez, escolheria os demais ministros. Nascia desse modo, o parlamentarismo brasileiro. Mas esse era um parlamentarismo muito diferente daquele praticado na Europa, que seguia o modelo inglês. Parlamentarismo: regime político de origem inglesa, no qual o chefe do poder Executivo é o Primeiro Ministro e o Poder Legislativo tem força de decisão sobre o Executivo.


      Revoltas do Segundo Reinado

       Revoluções Liberais de 1842:  São Paulo (Feijó) e Minas Gerais (Teófilo Otoni) - Caxias pacifica o movimento.

       Revolta Praieira – 1848 – 1850 – programa liberal.

      - A insatisfação das camadas populares, província forte com poder político influente, domínio dos engenhos pela família Cavalcante, concentração de terras nas mãos de poucos, monopólio comercial dos portugueses, repúdio a monarquia, crise econômica (açúcar).

      - O Partido da Praia chegou ao poder com Antônio Pinto Chinchorro da Gama como presidente de província. Usou métodos administrativos antigos, aumento de impostos, revoltas populares, sentimento antilusitano, elegeram seus senadores e a eleição foi anulada, destituição do presidente da província pelo imperador, o novo presidente Manoel de Souza Teixeira (1848) afastou os praieiros da administração.

      - Manifesto ao Mundo  defendiam voto livre e universal, liberdade de imprensa, independência dos poderes, extinção do Poder Moderador, federalismo, garantia de trabalho para o cidadão, nacionalização do comércio.

      - Repercussões da Revolta: medo do avanço das ideias democráticas, participação popular, mas não na liderança, conflito que preocupou o poder central devido à expansão das ideias europeias. O Brasil permaneceu centralizador, latifundiário e escravista.


      Economia

      → Expansão da cafeicultura, origem: Etiópia, século XVI Europa, século XVIII Antilhas e Brasil, final do século XVIII plantado no Rio de Janeiro. O desenvolvimento da cafeicultura transfere o eixo econômico do nordeste para o sudeste.

       O café no Vale do Paraíba - Rio de Janeiro: Angra dos Reis e Parati, mão de obra disponível, solo fértil, clima favorável, regularidade das chuvas, abundância de animais, proximidade do porto. Reforço da escravidão, grande propriedade monocultora e produção para o mercado externo, cultura extensiva e predatória, elite abastada, luxo, solares com lustres de cristais, cortinas, louças finas, semelhanças comas residências da Corte, moda francesa e navios a vapor. No Vale predomina mão de obra escrava num primeiro momento, depois adotam também mão de obra imigrante.

       O café no Oeste Paulista – o deslocamento do café ocorre em condições geográficas favoráveis. Campinas (Oeste velho), Mogi-Guaçu, Ribeirão Preto (Oeste Novo), solo plano e excepcionalmente fértil (terra roxa, oriunda da decomposição das rochas vulcânicas), maior produtividade, valorização do porto de Santos, expansão das ferrovias. O cultivo do café se torna o estabilizador da economia do Império. A expansão das ferrovias contribui para o escoamento do café, mas essa expansão não atinge todo o território nacional.

      → A Dinamização da Economia

      - Desde 1860 – superávits econômicos, Tarifa Alves Branco: elevou de 15% para 30%, contribuindo para impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional, a medida em que provocou o encarecimento das mercadorias importadas, abolição do tráfico liberou capitais, empreendimentos urbanos, destacou-se Irineu Evangelista de Souza (Mauá) como o empreendedor do Império: navios a vapor, estradas de ferro, comunicações telegráficas, bancos, etc. Mauá faliu em 1873. As tarifas punham fim aos privilégios ingleses.

      - Foi somente no final do século XIX que começou o desenvolvimento industrial no Brasil. Muitos cafeicultores passaram a investir parte dos lucros, obtidos com a exportação do café, no estabelecimento de indústrias, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Eram fábricas de tecidos, calçados e outros produtos de fabricação mais simples. A mão de obra usada nestas fábricas era, na maioria, formada por imigrantes italianos. O surto industrial ocorre em circunstâncias especiais, não cria sólida base industrial.

      - Ao final do Segundo Reinado a economia ainda se mantém baseado na monocultura e voltada para o mercado externo.

      - A lei de Terras (1850) Regulava a forma de aquisição de terras devolutas, por compras. Na Colônia - concessão de sesmarias. Os fazendeiros garantiram seus privilégios de proprietários.


      Escravidão

      → A mão de obra escrava utilizada durante séculos no país, começou a ser cada vez mais questionada, a partir do Segundo Reinado. Isto porque o modelo capitalista e industrial que iniciou na Europa, e aos poucos veio para o Brasil, era incompatível com o escravismo. Assim, a Inglaterra passou a pressionar pelo fim do tráfico de escravos na América, visando investimento em seus produtos industrializados. No Brasil há omissão do discurso no parlamento, “política de avestruz”. Em 1845, os ingleses assinaram a Lei Bill Aberdeen, que proibia o comércio de escravos entre a África e a América, autorizando a marinha inglesa a apresar navios negreiros brasileiros em alto mar. Em 1850, foi assinado, no Brasil, a Lei Eusébio de Queiróz, que proibia o tráfico de escravos no país. O capital proveniente do fim do tráfico e o protecionismo alfandegário garantido pela tarifa Alves Branco, contribuíram para o desenvolvimento industrial e atividades modernizadoras. Foi com o fim da Guerra do Paraguai , em 1870, que os esforços pelo fim da escravidão se intensificaram, com a pressão internacional e dos abolicionistas, o governo brasileiro foi cedendo, através da criação de leis, como: Lei do Ventre Livre ou Lei do Visconde do Rio Branco: criada em 1871, declarou livres os filhos de mulher escrava nascidos a partir da aprovação da lei. Lei do Sexagenário ou Lei Saraiva Cotegipe: criada em 1885, declarou livres os escravos que chegassem aos 65 anos de idade. Lei Áurea: criada em 1888, declarou livres todos os escravos. Vale ressaltar que, apesar da liberdade aparente, não foi dado aos escravos condições para se integrar à sociedade brasileira.


      Imigração

      → Os imigrantes, em grande parte europeia, vieram para substituir a mão de obra escrava. Boa parte tentava fugir do desemprego, buscando, no Brasil, melhores condições de vida, outros foram seduzidos pelas propostas de parcerias dos cafeicultores. Conhecida como Sistema de Parceria, os cafeicultores propunham custear o transporte dos imigrantes europeus até suas fazendas e estes, por sua vez, pagariam os fazendeiros com trabalho. Este sistema, no geral, não obteve sucesso, em razão dos elevados juros cobrados sobre as dívidas assumidas pelos imigrantes, e também dos maus tratos sofridos por eles. O Colonato - Regime de trabalho do imigrante – recebiam um pagamento proporcional aos pés de café e na colheita um pagamento variável, conforme a produção. Os colonos podiam cultivar produtos de subsistência, geralmente nos cafezais novos, daí o interesse pelas frentes pioneiras.


      Política Esterna

      As Questões Platinas- O interesse do Brasil na região platina era garantir o direito da navegação pelo rio da Prata (único caminho para a província de Mato Grosso); impedir que vaqueiros uruguaios invadissem as fronteiras brasileiras e atacassem fazendas gaúchas; impedir que a argentina anexasse o Uruguai formando um só país. Esses interesses levaram o Brasil a fazer guerra contra Oribe do Uruguai, Rosas da Argentina e Aguirre do Uruguai. Desde o Período Colonial, portugueses e espanhóis disputavam o domínio sobre a área. Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852): No Uruguai havia, em 1828, dois partidos: o Partido Blanco e o Partido Colorado. O primeiro era liderado por Manoel Oribe, o qual tinha o apoio do ditador argentino João Manoel Rosas. Este desejava reviver a união do vice-reinado do Prata para a formação de uma grande potência que controlasse toda a região platina. Já os colorados, comerciantes em geral, eram liderados por Frutuoso Rivera e não desejavam essa união. Tinham o apoio aberto do Brasil e de José Urquiza – governador das províncias argentinas de Correntes e Entre Rios -, que se opunham a Rosas. No Uruguai, alguns brasileiros, donos de propriedades e empreendimentos, envolveram-se nas disputas locais, atraindo a hostilidade dos blancos, que, em represália, passaram a atacar as fazendas gaúchas fronteiriças. Tal fato, aliado ao temor da criação de um grande Estado platino, fez com que o Brasil interviesse no Uruguai, em 1851. Oribe foi derrotado, e assumiu o governo o colorado Rivera, que se aliou a Urquiza da Argentina. O presidente Rosas foi derrotado, sendo substituído por Urquiza. Guerra contra Aguirre (1864): O conflito entre fazendeiros brasileiros e os Blancos do Uruguai continuou forte. O governo brasileiro fazia reclamações ao governo uruguaio, mas nada era feito. Por isso, o governo brasileiro aliou-se ao Partido Colorado e declarou guerra ao presidente uruguaio Aguirre, do partido Blanco. As tropas atacaram o Uruguai por mar (sob o comando do almirante Tamandaré) e por terra (sob o comando do general Mena Barreto). Derrotado Aguirre pediu ajuda ao presidente do Paraguai, Solano Lopes.

      Guerra do Paraguai - foi um conflito militar que ocorreu na América do Sul, entre os anos de 1864 e 1870. Nesta guerra o Paraguai lutou conta a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Causas: pretensões de Francisco Solano Lopes de conquistar terras na região da Bacia do Prata. O objetivo do Paraguai era obter uma saída para o Oceano Atlântico. O Paraguai disputa do Chaco com a Argentina a livre navegação do rio Paraguai e reivindicação do território entre os rios Branco e Apa pelo Brasil. O Brasil defendia a livre navegação na bacia platina. Desenvolvimento do conflito:  A guerra teve início em novembro de 1864, quando o navio brasileiro Marquês de Olinda, foi aprisionado pelos paraguaios no rio Paraguai. Em dezembro de 1864, o Paraguai invadiu o Mato Grosso, e no começo de 1865, as tropas paraguaias invadiram Corrientes (Argentina) e logo em seguida o Rio Grande do Sul. - Em 1 de maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai selam um acordo para enfrentar o Paraguai. Contam com a ajuda da Inglaterra. - Paraguai 77 mil combatentes; Argentina - 6 mil; Brasil – 18 mil; Uruguai – 3 mil. Em 11 de junho de 1865 ocorreu um dos principais enfrentamentos da guerra, a Batalha de Riachuelo. (Almirante Barroso) Em abril de 1866 ocorreu a invasão do Paraguai. Comandante- em- chefe: Bartolomeu Mitre; no Brasil General Luís Osório; no Uruguai Venâncio Flores. - Força naval do Brasil: Almirante Tamandaré. Plano dos aliados: fortaleza de Humaitá. - Maio de 66 – batalha de Tuiuti. Setembro de 66 – derrota em Curupaiti. - Julho de 68 – vitória em Humaitá. Dezembrada: Itororó, Avaí, Lomas Valentinas, rendição de Angostura. Em 1869, sob a liderança de Duque de Caxias, os militares brasileiros chegam a Assunção. A guerra terminou em 1870 com a morte de Francisco Solano Lopes em Cerro Cora - comando do Conde d’Eu. Recrutamento militar - O Brasil tinha um exército mal organizado e pouco numeroso, tentou mobilizar a Guarda nacional e fez recrutamento forçado e voluntário. Impopularidade da guerra: gastos, escassez de mão de obra na agricultura, desvalorização da moeda, resistência em órgão da imprensa como Jornal do Comércio e Opinião Liberal. Liberdade aos escravos que fossem voluntários; tornaram-se alvo de discriminação por comporem o quadro do Exército. Dificuldades: Falta de preparo, terreno pantanoso, inexistência de mapas, falta de equipamento militar e higiene. Saldo e Consequências da Guerra: Nesta guerra morreram cerca de 300 mil pessoas (civis e militares); a indústria paraguaia foi destruída e a economia ficou totalmente comprometida; o prejuízo financeiro para o Brasil, com os gastos de guerra, foi extremamente elevado e acabou por prejudicar a economia brasileira. A Inglaterra, que apoiou a Tríplice Aliança, aumentou sua influência na região. Morte em decorrência de combates, fome, esgotamento físico e doenças. Paraguai – metade de sua população morreu, não foi alcançado o livre acesso ao mar, foi o grande derrotado, perdeu os territórios em litígio, devastou a economia, desequilíbrio demográfico, Uruguai – 3 mil mortos, os conflitos internos permaneceram, Argentina - 18 mil mortos, benefício para os pecuaristas, os portenhos e o governo com impostos, Brasil – 50 mil combatentes, a existência de um inimigo externo fortaleceu a unidade nacional, custos de 614 mil contos de réis, (em um ano era de 57 mil). Em 1940 foi perdoada a dívida. A guerra abalou os fundamentos do império, fortaleceu o Exército. O Exército brasileiro ficou mais forte e começou a simpatizar com a causa republicana e a manifestar-se contra a escravidão.

      Questão Christie – incidente diplomático entre Brasil e Inglaterra. O navio britânico Prince of Wales naufragou no Rio Grande do Sul e teve a sua mercadoria roubada. Christie exigiu indenização do governo brasileiro. Em 1862, um grupo de oficiais da marinha inglesa foi preso por cometer uma arruaça no Rio de Janeiro. Christie exigiu punição aos brasileiros e ainda que embarcações inglesas apreendessem cinco navios brasileiros que estavam ancorados na Baia de Guanabara. Visando solucionar o caso, Dom Pedro II convocou o rei da Bélgica, Leopoldo I, para arbitrar a questão e devolveu o dinheiro referente ao roubo das cargas. O monarca belga decidiu em favor dos brasileiros. Sem obter resposta da Inglaterra, o Brasil acabou rompendo relações com a Coroa Britânica. O problema só chegou ao fim em 1865, quando os ingleses reconheceram seu comportamento intransigente.


      Queda do Império e Proclamação da República

      O abolicionismo, e a libertação dos escravos, fizeram o governo perder apoio dos fazendeiros. Além disso, alguns problemas envolvendo a Igreja Católica abalaram as relações entre esta instituição e o imperador.

      O sistema monárquico não correspondia mais aos anseios da população e às necessidades sociais que estava em processo. Um sistema em que houvesse mais liberdades econômicas, mais democracia e menos autoritarismo era desejado por grande parte da população urbana do país.

      Questão Religiosa – a forte interferência de D. Pedro II nas questões religiosas, que provocou atritos com a Igreja Católica, na medida em que o imperador não permitiu que a Bula Sylabus baixada pelo Papa, determinando que os religiosos católicos não pudessem participar da maçonaria, não fosse cumprida no Brasil. Os bispos de Olinda e Pará desobedeceram ao imperador e foram punidos.

      Questão Militar - Após a guerra do Paraguai, o Exército brasileiro se fortaleceu, pois até então o seu exercício era insignificante, se comparado a Guarda Nacional. O clima tenso entre os militares e civis, conhecidos como “fardas” e “casacas”, respectivamente, aumentava cada vez mais. E assim, começaram a ocorrer alguns incidentes, que fizeram parte dos militares retirar o seu apoio ao Império.

      O ponto de partida do movimento republicano situou-se no lançamento do Manifesto Republicano em 1870. O Manifesto Republicano foi uma declaração publicada pelos membros dissidentes do partido Liberal com a finalidade de proclamar a República. O movimento para instalar o regime republicano, no Brasil, ganhava cada vez mais força, inspirado em países vizinhos. O regime imperial passou a ser considerado ultrapassado.

      O exército adquiriu muito prestígio depois da Guerra do Paraguai, e exigia maior participação nas decisões políticas.

      Falta de apoio da elite agrária ao regime monárquico, pois seus integrantes queriam mais poder político, não aceitavam que não fossem indenizados pelo Estado, já que haviam perdido bens econômicos com a abolição da escravatura. (escravo era visto como um bem material).
      Outro fator da queda da monarquia foi o federalismo.

      Fortalecimento do movimento republicano, principalmente nas grandes cidades do Sudeste.

       Os Partidos Republicanos do Rio de janeiro e de São Paulo pediram a intervenção militar, e o Exército se mostrou sensível ao apelo. No dia 11 de novembro, líderes republicanos reuniram-se com o marechal Deodoro da Fonseca, pedindo-lhe que liderasse o movimento para depor a monarquia. Estavam presentes Rui Barbosa, Benjamin Constant (Positivismo), Aristides Lobo, Bocaiúva, Glicério e o coronel Sólon. Deodoro aceitou a proposta. No dia 15 de novembro de 1889, a República foi finalmente proclamada.